C'est la Vie

C'est la Vie

não lambo mais bitucas de cigarro. Meu corpo não suporta mais, madrugadas e madrugadas de noites alcólicas. Talvez seja a idade, talvez a falta de amor próprio.
A falta da vida. Ninguem que come comida vegetariana, não bebe e não fuma, pode gostar da vida. Isso é uma tortura pessoal.

Porque infelizmente, aquela frase que tudo que é bom, engorda e faz mal pra saúde, é a mais pura verdade... Não me venha com papo furado.
Mas a idade chega pra todo mundo. E dançar sob a lua, correr embriagado pelas ruas do centro... Dançando o ultimo blues com a luz dos faróis...
Isso vai se embrenhando na lembrança, não condizendo com a carcaça corroendo pelas chuvas ácidas dos desamores... Vamos virando fosseis da nossa imaginação.
Derretendo sobre a frieza dos ossos, no definhamento do coração, ossos de geladeira. E o que flutua sobre ventos em folhas amarelas no parabriza contra o sol no semáforo. É só a lembrança
que vai se perdendo, até não saber, se a moça doce que deita ao seu lado é sua filha, sua mulher ou a Dona Morte. Que me leve no beijo gelado na minha testa.
Pra um lugar onde os faróis dos caminhões nas docas, não tenham hora pra apagar. 

Ps; como de antigamente, ofereço uma musica pra ser ouvida onde se lê esse texto!  Mrs. Tom Waits - Watch her Disappear



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