Minha febre baixou, meu sangue já não corre tão intenso e brilhoso em minha veias, a panela de pressão esfriou. Já não me divirto tanto em amanheceres alcolizados...

As luzes do centro já não me parecem mais tão bonitas... não me inspiram mais nada. Beber, tem me feito mal. duras ressacas doídas ... não era mais como antes.

Junto vem uma maturidade, um saco cheio do que eu não quero ver, nem ouvir. E não ouço, a burrice, a infantilidade a falta de coragem, me tem tirado da rota.

Já to muito tempo sozinho... A tempos que só ouço bom dias amargos. Sexos vazios, gozo pra que se acabe. Se apaixonar não é mais uma tarefa... é algo improvável.

Menina gentil, branca como os dentes sem sangue, sem carne. O impulso morno, aficionado por sonhos e extintos ao cotidiano. Dance o quanto lhe for pertintente

quando se libertar. Mas já não estarei mas lá pra assistir. Muito menos pra cantarolar qualquer coisa no fim da madrugada.

A idéia da troca se tornou invasiva, e meus anseios sublimes, se tornaram um pesadelo. Fui me apunhalando num harakiri intenso e vagaroso. Sem deixar nada, nem minha dignidade.

Desisto da poesia, e não de onde vou me encontrar, ainda espero achar por ai, a tal encruzilhada no meio do deserto, pra poder tocar um solo fino de blues na minha guitarra.

Mas dessa vez que seja sozinho. meus indios e meus demônios peleando em carne viva...enquanto vou rir dessa merda toda. Até nao desistir, contra o impacto crâniano numa esfera de 9 milimetros.

Queira sim, uma manhã doce, sobre um vale com cheiro de laranja, confortavelmente acalentado em braços macios e cabelos longos flutuados ao vento. teu seio abraçado de lã.

Mas isso não é mais um sonho, é um pesadelo.

 

Boa noite




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